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> 500 anos de eleições
As
eleições não são uma experiência recente no País. O livre exercício do
voto surgiu em terras brasileiras com os primeiros núcleos de povoadores,
logo depois da chegada dos colonizadores. Foi o resultado da tradição
portuguesa de eleger os administradores dos povoados sob domínio luso.
Os colonizadores portugueses, mal pisavam a nova terra descoberta, passavam
logo a realizar votações para eleger os que iriam governar as vilas e
cidades que fundavam. Os bandeirantes paulistas, por exemplo, iam em suas
missões imbuídos da idéia de votar e de serem votados. Quando chegavam
ao local em que deveriam se estabelecer, seu primeiro ato era realizar
a eleição do guarda- mor regente. Somente após esse ato eram fundadas
as cidades, já sob a égide da lei e da ordem. Eram estas eleições realizadas
para governos locais.

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Eleições em quatro graus
As
votações no Brasil chegaram a ocorrer em até quatro graus: os cidadão
s das províncias votavam em outros eleitores, os compromissários, que
elegiam os eleitores de paróquia, que por sua vez escolhiam os eleitores
de comarca. Estes, finalmente, elegiam os deputados. Os pleitos passaram
depois a ser feitos em dois graus. Isso durou até 1881, quando a Lei Saraiva
introduziu as eleições diretas. Das bolas de cera à urna eletrônica Os
votos eram a princípio depositados em bolas de cera chamadas de pelouros;
depois vieram as urnas de madeira, as de ferro e as de lona, até que se
implementou em todo o País, no ano 2000, o voto informatizado, realizado
em urnas eletrônicas que possibilitam a apuração das eleições quase que
de forma imediata.
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Eleições livres
Até
1828, as eleições para os governos municipais obedeceram às chamadas Ordenações
do Reino, que eram as determinações legais emanadas do rei e adotadas
em todas as regiões sob o domínio de Portugal. No princípio, o voto era
livre, todo o povo votava. Com o tempo, porém, ele passou a ser direito
exclusivo dos que detinham maior poder aquisitivo, entre outras prerrogativas.
A idade mínima para votar era 25 anos. Escravos, mulheres, índios e assalariados
não podiam escolher representantes nem governantes.
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As primeiras eleições
As
eleições para governanças locais foram realizadas até a Independência.
A primeira de que se tem notícia aconteceu em 1532, para eleger o Conselho
Municipal da Vila de São Vicente-SP. As pressões populares e o crescimento
econômico do país, contudo, passaram a exigir a efetiva participação de
representantes brasileiros nas decisões da corte. Assim, em 1821, foram
realizadas eleições gerais para escolher os deputados que iriam representar
o Brasil nas Cortes de Lisboa. Essas eleições duraram vários meses, devido
a suas inúmeras formalidades, e algumas províncias sequer chegaram a eleger
seus deputados.
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Influência religiosa
A
relação entre Estado e Religião, até fins do Império, era tamanha que
algumas eleições vieram a ser realizadas dentro das igrejas. E durante
algum tempo foi condição para ser eleito deputado a profissão da fé católica.
As cerimônias religiosas obrigatórias que precediam os trabalhos eleitorais
só foram dispensadas em 1881, com a edição da Lei Saraiva. Essa ligação
entre política e religião somente cessou com a vigência da Constituição
de 1891, que determinou a separação entre a Igreja e o Estado.

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